Ad Populus
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Dívida Pública
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Se mudava alguma coisa? (em SenatusLusitanus.blogspot.com)
A intenção, aparentemente, é boa. Tudo aquilo que é descriminar pessoas, e a sua dignidade, pela razão da sua orientação sexual é moralmente lamentável. Não é menos lamentável, porém, que para se salvarem os anéis se cortem os dedos. Se a minha mãe fosse lésbica mudava muita coisa. Não seria motivo suficiente para que se quebrassem os meus laços afectivos para com ela, mas que muita coisa mudava não há dúvida. O mesmo se o meu pai fosse gay. Todos nós desejamos naturalmente que nosso pai e nossa mãe sejam felizes juntos. Se não temos esse desejo é por uma de duas razões: ou porque nunca os vimos juntos e é já natural que seja assim; ou porque o casamento (convivência) entre eles foi uma catástrofe. Se mudava alguma coisa, saber que a minha mãe arranjou namorada?
Se a minha mãe fosse lésbica, provavelmente não teria irmãos;
Se a minha mãe fosse lésbica, não sei se viveria com ela. Se vivesse, então não viveria com o meu pai;
Se a minha mãe fosse lésbica, possivelmente seria amasculinada e, como tal, necessariamente menos mãe; de outra forma seria igualmente maternal, mas teria um pai que afinal era uma mulher; ou então nem isso era e, afinal, nem pai tinha mas uma mãe e uma tia que dormem juntas;
Se a minha mãe fosse lésbica ia muita coisa fazer-me confusão e a última coisa com que me ia preocupar era homofobia, não ia ter medo da minha mãe!
Se a minha mãe fosse lésbica a minha família simplesmente se desfazia;
Portanto, se a minha mãe fosse lésbica mudava muita coisa.
Por vezes questiono-me se estas ditas campanhas contra a homofobia não serão afinal campanhas que promovem a homossexualidade como se fosse igual ser homo ou hetero. Não é igual! Dizer isso é dizer que a sexualidade humana não tem valor. Ora, esta vale na medida em que permite que duas pessoas diferentes se entreguem e se recebam sem medo da diferença. Nós não somos uns seres que temos um sexo como extra. Somos homens e mulheres e o ser homem e ser mulher – na respectiva sexualidade – destrói-se na homossexualidade. A homossexualidade corresponde justamente à rejeição daquilo que é diferente e a um fecho à vida com pretexto de liberdade.
Também me questiono por que razão é que a CML apoia isto.
Não tenho medo nenhum de homossexuais, aceito-os perfeitamente na minha sociedade como são e respeito as suas escolhas e modos de vida. Do que tenho medo é que esta tendência homossexualizante e a sua promoção destruam o que resta da família, verdadeiro alicerce e fundamento da sociedade. Uma sociedade tendencialmente homossexual ou heterossexual esterilizada não tem capacidade para gerar famílias que sustentem uma civilização. Também tenho medo deste novo conceito de família: em que o compromisso e o espírito de missão - geradores de um afecto perene, saudável e estável - dão lugar ao afecto gerado pelo hedonismo e pelo prazer - inseguros, incertos e instáveis. Pela árvore se vê o fruto. Que fruto poderemos colher desta “nova” “família”?
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Problemas a resolver
Nesta nossa pátria de costumes brandos têm vindo a acontecer coisas engraçadas: aprovação de um DL que reconhece aos homossexuais o acesso ao casamento mas que enferma logo de inconstitucionalidades (se era para resolver o assunto que se resolvesse como deve ser e com coerência, não viessem com a história do mandato do povo, que já aqui mereceu algures a devida crítica), aprovação de orçamento de estado elaborado por um governo socialista e viabilizado por partidos da direita que, afinal, parece que não o querem, cenas de pancadaria em túneis de acesso a relvados de futebol (tudo estaria bem se não fossem protagonistas profissionais de clubes grandes), abertura de ano judicial tão morninha que dá vontade de vomitar – a paródia que Luís Pedro Nunes fez do acontecimento, no Eixo do Mal só é brilhante –, o deboche das escutas de Pinto da Costa no youtube… Enfim, coisas engraçadas! Quando todos pensávamos que pouca coisa nos poderia surpreender em Fevereiro, eis que rebenta Mário Crespo denunciando uma conversa que o nosso prezado PM teria tido com outro não menos prezado membro do governo. Conversa essa que parece não ser lá muito típica de um homem tão democrático e tão respeitador das liberdades da democracia.. Estou curioso para ver como se vai resolver o problema. Vai ser engraçado, com toda a certeza.
Simultaneamente, e não querendo ser daqueles estrangeirados que dizem que lá fora é que é bom, vemos um ex-primeiro ministro francês em muito maus lençóis com a justiça. Tentei e não consigo imaginar parecido em Portugal!
sábado, 28 de novembro de 2009
Ámen II
Este artigo é a minha resposta a um artigo – Ámen – publicado no Senado.
“A incompreensão que se possa sentir (penso que qualquer homem digno desse nome a sente) ao ouvir falar de abusos sexuais a crianças não legitima, automaticamente, que se digam inverdades.
Para se dizer o que quer que seja em relação à Igreja, em conformidade com a verdade, é preciso saber-se o que é, de facto, a Igreja, o que ela diz de si e do mundo e o que está por trás daquilo que diz. O texto é longo mas tem todo o direito a ser lido, com atenção redobrada por quem faz suas as palavras do artigo do nosso prezado e caro senador Rafael, em nome da liberdade de expressão de contradizer.
I
Igreja (do grego ekklesia) significa, etimologicamente, assembleia e é o que ela é na realidade. Uma assembleia da qual fazem parte os baptizados mas na qual só participam alguns. Portanto, a ideia de que a Igreja é uma instituição religiosa de papas, bispos, padres, freiras e monges, que (hoje em dia) vive pacificamente fora do estado mas que gostava de ter algum poderzinho temporal é um engano. A Igreja é uma assembleia onde o Espírito de Cristo se faz presente, onde os que nela participam O podem testemunhar e cuja missão é levar aos homens por todo o mundo a notícia do seu encontro pessoal com esse mesmo Cristo. Encontro pessoal: encontro de uma pessoa com outra pessoa e do qual resulta a felicidade extrema para a qual o homem foi criado. Daqui é claro perceber que a Igreja não pode ser uma instituição religiosa: é que o Cristianismo não é uma religião; uma religião é a procura de Deus/deuses/transcendências por parte do homem; diferentemente, o Cristianismo é o encontro pessoal do homem com Deus, em que Deus se encontra com o homem.
A partir daqui, podemos também concluir que a Igreja nunca poderia ser “Um grupo de indivíduos, que habitam num mundo distante, diferente dos restantes indivíduos a quem os primeiros chamam rebanho”. Como tal, Igreja e clero (papa, bispos e padres) não se confundem. O clero é um conjunto de homens que serve a assembleia, a Igreja. Os que servem são chamados ministros – ministério quer dizer serviço, na sua etimologia. Logo, o clero não é a Igreja; o papa, os bispos e padres fazem parte, como qualquer baptizado, da assembleia dos que se querem encontrar com Cristo e dos que se encontraram com Cristo mas não são ela nem seus donos.
II
Do acima exposto, podemos retirar que o que faz cada um dos membros da Igreja não influi, nem para bem nem para mal, na natureza da Igreja-Assembleia ainda que prejudique – e pode prejudicar e de que maneira, como podemos ver pelo escândalo noticiado – a sua missão.
Agora podemos discutir com outra perspectiva as considerações feitas pelo nosso caríssimo senador Rafael.
1. O IRA não tem nada que ver com a Igreja Católica, ainda que muitos dos seus membros se dissessem, ou fossem mesmo, católicos. Aliás, basta dizer que muitos dos soldados do IRA tiveram problemas com padres por causa da sua luta (fica para outras núpcias a discussão sobre a legitimidade desta última);
2. Não será esta a melhor imagem daquilo que representa a igreja católica em pleno sec XXI? Um grupo de indivíduos, que habitam num mundo distante, diferente dos restantes indivíduos a quem os primeiros chamam rebanho, e que de vez em quando surgem em público ora para criticar a aprovação de uma lei, ora para incentivar a disseminação de uma doença, ora para molestar criancinhas?
Uma imagem é uma projecção da realidade. A imagem de que se fala será a projecção da realidade que é a Igreja. Já vimos o que é a realidade da Igreja (embora que sucintamente e em linhas pouco sábias). Logo, essa imagem só pode derivar de um erro (desconformidade entre a verdade e o conceito subjectivo da realidade).
2.1. Porque não há indivíduos que vivam em mundos distantes: é uma una assembleia, como já vimos;
2.2. Se o conceito de aparecer de vez em quando corresponder a aparecer todos os dias está muito bem essa imagem, pois que todos os dias os ministros da Igreja se pronunciam em público sobre todos os assuntos que interessa à vida do homem de hoje, seja através de documentos oficiais, seja através de meios de comunicação próprios, seja presencialmente. Mas é preciso que a impressão que se tenha de público seja uma que corresponda a um conceito largo de público e não se restrinja meramente a uma comunicação social de carácter telegráfico e efémero que aborda os temas, problemas e acontecimentos de forma breve, pouco funda e até leviana. Nesse público restrito, de facto, os ministros da Igreja só aparecem de vez em quando (não todos os dias)– ainda bem. Por outro lado, confesso nunca ter ouvido ninguém da Igreja a incentivar a disseminação de uma doença (também pode ficar para outras núpcias) nem tampouco fazer apologia do molestamento de crianças. Essa é uma leitura inadmissivelmente tendenciosa de alguém que comenta uma notícia e recorta a parte que lhe desfaz o comentário, salvo o devido respeito a quem o faz. Vale a pena recordar o que disse o actual arcebispo de Dublin (que nada tem que ver com o escândalo) na mesma notícia: current Archbishop of Dublin, Diarmuid Martin, apologised to the victims, describing their abuse as an "offence to God". He said: "I offer to each and every survivor my apology, my sorrow and my shame for what happened."
3. Há ainda outra inverdade clamorosa quando se diz que os arcebispos não contaram nada à polícia: For their part, Gardai frequently ignored complaints from victims, effectively granting priests immunity from prosecution. The inquiry found that church authorities nurtured inappropriately close relations with senior police officers. (Gardai é a força policial irlandesa) Não há nada a acrescentar: pior foi a emenda que o soneto, maior o escândalo pela cobertura que o escândalo provocado pelos crimes, ou quase.
Assim, e em resumo, se um membro de uma instituição pratica um crime, todos devem com ele praticá-lo, com vista a deixar intacta a dignidade da santa sé (soa a mandamento?).
Este parágrafo é incompreensível face a tudo o que foi dito acima.
-Se o papa for nazi, todos o devem ser...
Este também o é mas em maior amplitude.
Deus nos salve! – Agora sem ironia.”
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Novo Blog
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ter filhos ou não ter
A reportagem que passou na RTP no programa Linha da frente ontem, 18 de Novembro, obrigou-me a tratar um tema que é urgente hoje e precisa de debate preocupado, soluções sérias e capacidade de abertura mental. Vale a pena ver a reportagem aqui.
Ela retrata quatro famílias: uma sem filhos, uma com uma filha, uma com um filho e uma filha e, finalmente, uma de seis filhas e quatro filhos. Mais profundamente, põe a nu e procura descortinar as razões para termos, em Portugal, um índice de natalidade tão dramático (drama que se estende por toda a Europa mas que, pelos vistos não preocupa toda a gente). O índice de fertilidade mínimo para a substituição das gerações (substituição, nem sequer é crescimento demográfico) é de 2,11 filhos por mulher. Actualmente vamos nos 1,36…
O modelo de família que o nosso século vê mais frequente corresponde ao das 3 primeiras famílias (a par das famílias monoparentais). Famílias com poucos filhos ou mesmo nenhuns (é isso uma família?) onde as razões para essa falta de filhos são:
- o dinheiro não chega para tudo;
- cada criança exige o seu tempo, tempo esse que, multiplicado por mais de duas crianças, não existe, numa sociedade em que homem e mulher trabalham a tempo inteiro;
- ter filhos implica abdicar da própria vida (projectos pessoais);
- os filhos tiram a “paz”.
Vejamos. O argumento de “o dinheiro não chega para tudo” é dado pelo pai de uma filha única que gasta cerca de 900 euros por mês na educação da menina (colégio, actividades extra curriculares), conduz um Audi A4 de 2007 (?) e trabalha num escritório amplo e bem mobilidado (que parece ser uma divisão da casa). Quando a filha lhe pediu um irmão respondeu-lhe peremptoriamente que não podia ser… Quando lhe pediu um cão, ofereceu-lhe um porquinho da índia, com trela, para lhe fazer companhia. (as imagens da menina solitária a brincar com um roedor seriam deprimentes, não fosse mágica a imaginação infantil que em tudo vê alegrias). É claro que o dinheiro não chega para tudo! Nem o homem mais rico do mundo tem dinheiro para tudo! Não parece que esta família não tenha dinheiro para acudir a custos necessários com o cuidado de mais que um filho. Portanto, é inegável que esta família, não tendo falta de dinheiro, prefere ter mais dinheiro a ter mais filhos. Prefere o conforto material que o dinheiro proporciona à geração de vida humana. Será falacioso afirmar que ele é o verdadeiro materialista, vive para o dinheiro mas não suporta viver para mais que duas pessoas (a mulher e a filha, se não se divorciar entretanto)? Quando digo “esta família” estou a falar de milhares de famílias em situação idêntica.
O problema de não haver tempo para dedicar aos filhos é geral, numa sociedade em que homens e mulheres trabalham no mínimo 8 horas por dia. Na luta do feminismo, que é legítima quando se debate a dignidade da mulher, perdeu-se de vista a maternidade como vocação da mulher. Ela, ao tornar-se igual ao homem no mundo do trabalho (e tantas vezes com mais qualidade), não subiu ao nível do homem mas rebaixou-se naquilo que tinha de superior. Aquilo que tinha de sublime na sua natureza feminina, o ser mãe, abdicou em nome de uma igualdade que a prejudica e nem é assim tão verdadeira! De outra maneira: contra o desequilíbrio provocado pelo quase monopólio dos direitos civis detido pelos homens e pela mitigada protecção civil das mulheres, a que acrescia o direito natural a serem mães, a luta feminista pelos direitos civis das mulheres esqueceu a defesa do direito a ser mãe.
Essa luta tinha, necessariamente, que ser feita mas era uma luta de todos, homens e mulheres, em nome da dignidade da pessoa humana.
Por outro lado, não se nega que não se gostasse de ter mais filhos. Mais! Num estudo da Associação de Famílias Numerosas, é demonstrado que a maioria das mulheres que têm filhos gostaria de ter mais. Donde, se não têm é porque não conseguem ou não podem. E se não podem há de ser por razões económicas ou sociais. Repare-se que os exemplos da reportagem não são de pessoas que vivem na miséria e não têm condições objectivas para ajudarem filhos a crescer (e quantos não há assim?); são de pessoas que exigem um nível de vida superior ao aceitável. Repare-se também que disse nível de vida, não disse qualidade! Comparem a criança que fala do seu porquinho da índia e do irmão que não tem com a que fala dos seus nove irmãos…
Temos em mãos um problema que é grave. E ao qual se referiu o nosso Presidente da República na questão “O que é preciso fazer para termos mais filhos?”. Obviamente a pergunta não se referia a actos práticos mas à criação de condições para que esses actos práticos (cópula) possam gerar prole. O país precisa muito de filhos, sem eles seremos em poucas décadas um país de velhos, sem segurança social, sem força de trabalho produtiva e sem todo o leque de direitos e apoios do estado a que tanto nos habituou o estado social. Sem filhos nada disto é possível e teremos cada vez mais uma sociedade onde cada um se fecha em si mesmo, sem réstias de fraternidade (de frater = irmão). É claro que cada um é livre de contribuir, ou não, para a construção substancial da sociedade mas ao lado de todas as liberdades existe uma coisa muito incómoda que é a responsabilidade (susceptibilidade de dar resposta, responsa) e a responsabilidade de um colapso demográfico do nosso país é de todos aqueles que, ostensivamente, não querem e se recusam a ter filhos. Incluindo, de forma especial, aqueles que não querem ter filhos em nome dos seus projectos pessoais. E esses têm que assumir essa responsabilidade, muito mais porque é um preço que todos, mal ou bem, vamos pagar. Em que se concretiza essa responsabilidade? Não sei mas talvez comece por reconhecê-la.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Muitos motes
Talvez seja imperdoável a falta de glosas aos tantos motes que o mundo tem dado desde 3 de Setembro. Já lá vai um mês e meio…
Confesso, porém, que se os motes são em abundante quantidade, já é provável que mingue a qualidade das glosas. O mundo continua caminhando a ritmo rotineiro. Todo o alvoroço à volta de eleições foi vazio, apenas confirmou uma realidade que já se pressentia. Continuamos a não merecer bons políticos, continuamos a ter líderes de segunda escolha. Ganhou o voto útil, o voto cobarde, o voto que tem medo de expressar aquilo em que acredita.
Obama prémio Nobel (no shit…)
Propinas do ensino superior voltaram a subir… Na minha faculdade também, não obstante se ter registado um saldo de 6 milhões do ano passado… Ensino superior tendencialmente gratuito my ass. Ainda se fala em Estado de Direito (os nossos governantes fazem tábua rasa da Constituição!)… Lá vamos nós ouvindo as desculpas esfarrapadas de sempre…
Caiu a pedra no charco, o mesmo é dizer que Saramago abriu a boca. Querendo contrariar a natural tendência de se deturpar o que a Igreja diz, aqui deixo a posição da mesma face ao tema.
Críticas de Saramago mostram que não compreende a Bíblia
Polémica despoletada pelo Nobel português pode ser oportunidade para valorizar a cultura bíblica

A polémica despoletada pelas declarações de José Saramago a respeito da Bíblia, que classificou como “um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade” deve levar a Igreja Católica a valorizar a cultura Bíblica e combater a ignorância a respeito desse texto fundamental.
Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Manuel Clemente, Bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal responsável pela área da cultura, indica que "uma personalidade como José Saramago, que tem mérito literário inegável, deveria ser mais rigoroso quanto fala da Bíblia, porque não se pode dizer dos factos e dos autores bíblicos o que Saramago diz”.
O Bispo do Porto afirma que “bastaria ler a introdução a qualquer livro da Bíblia, nomeadamente o Génesis, para saber que são leituras religiosas acerca do história de Israel”, depois recolhidas como” história bíblica para todos os cristãos e todos os crentes”.
D. Manuel Clemente diz que Saramago utilizou um discurso de “tipo ideológico, não histórico nem científico” e revela uma “ingenuidade confrangedora” quando faz incursões bíblicas.
Já o Pe. Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), lamenta a “superficialidade” com que Saramago se debruçou sobre a Bíblia, considerando que “entrar num género de ofensa não fica bem a ninguém”, sobretudo a quem tem um estatuto de prémio Nobel da Literatura.
“Uma crítica não deve ser uma ofensa, deve ser feita com respeito e humildade. Há aqui um claro exagero, que não gostávamos de ver nele (José Saramago, ndr)”, acrescenta, antes de considerar que as afirmações do Nobel da Literatura “ferem os sentimentos” de mais de 2 mil milhões de crentes.
Para o biblista português Fernando Ventura, Capuchinho, José Saramago tem a exigência intelectual de se informar antes de escrever.
“A Bíblia pode ser lida por alguém que não tem fé, mas supõe alguma honestidade intelectual de quem o lê”, afirmou, acusando Saramago de “uma falta gigantesca” dessa honestidade.
Mais grave, acrescenta o Pe. Ventura, é o desconhecimento “do que são géneros literários” ou do lugar do “mito” na literatura, o que considera especialmente negativo num escritor, que se debruçou “sobre um âmbito que não domina”.
“Não saber situar o texto no contexto é imperdoável para um escritor”, atira.
O biblista espera que esta polémica sirva como “provocação” para que os católicos se questionem sobre a melhor maneira de responder a um “golpe publicitário” que atinge um meio marcado por uma “atroz ignorância bíblica”.
Apesar de admitir a ignorância de muitos católicos em relação à Bíblia, o Pe. Manuel Morujão diz que um escritor da craveira de José Saramago tem mais responsabilidades do que o cidadão comum. Para o secretário da CEP, o “estatuto Nobel” não lhe dá o direito de entrar em campos que “não conhece suficientemente”.
“A Bíblia, que tem 76 livros, tem de ser interpretada na diversidade dos géneros literários”, aponta.
Este responsável diz mesmo que esperava “mais” do prémio Nobel, “independentemente da sua ideologia”, e recomenda “humildade” nas opiniões, para que estas não se apresentem como “pseudodogmas”.
O Pe. Manuel Morujão conclui desejando que se promova “muito mais a cultura bíblica” e o conhecimento de um texto em que “Jesus até manda amar os inimigos”.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Censura
Já era mais que sabido que a corrupção absorve toda a vida social e política do nosso país. No fundo, todos nós somos um bocadinho corruptos e essa pequena corrupção, que também chega de forma avassaladora ao jornalismo, deturpa a verdade. Consequentemente, o vivermos nesta corrupçãozinha leva-nos a viver na mentira.
O que não sabíamos era que em Portugal há censura. Descarada, prepotente e arrogante.
Ontem ouvia o nosso primeiro-ministro, no debate com Paulo Portas, muito incomodado com o desrespeito pelas regras… Parecia quase ofendido! Eu ria-me por dentro. De facto, se as regras para nós somos nós que fazemos, elas são qualquer coisa mas não são regras (talvez sejam arbítrio).