quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Revista

Após intervalo estival da vida lisboeta, cumpre fazer breve revisitação dos tempos que passaram.

O Alentejo da minha infância ferial tem tudo no mesmo sítio mas as multidões vão devassando este santuário de calma e de silêncio. Talvez ainda não o suficiente para ser mau de todo.

O mundo nestes dias assistiu em especial o périplo de H. Clinton por terras africanas, assumindo uma mudança de postura da Casa Branca nos seus affaires estrangeiros dando uma importância acrescida aos assuntos africanos. A chefe da diplomacia estado unidense puxou orelhas, apontou exemplos, distribuiu/prometeu ajudas e patrocinou os direitos das mulheres. Entretanto, no Irão, uma francesa radicada ali continua esperando a (in)justiça, acusada de espionagem nos célebres tumultos que seguiram as eleições presidenciais na República Islâmica do Irão.

Neste país à beira mar plantado, perdemos um peso-pesado do humor em Portugal – Raul Solnado, herói vivo que protagonizou no palco sketches deliciosos (hão de estar no youtube).

Isaltino Morais é condenado a 7 anos de prisão efectiva, a pagar uma multa de quase meio milhão de euros e a perda de mandato autárquico. É claro que interpôs recurso, expediente que, no senso do cidadão comum não é mais que uma maneira de “adiar e complicar a aplicação da justiça”. O problema é que Isaltino é uma gota nesse mare magnum que é a corrupção em Portugal.

Destaque para audácia protagonizada por elementos do 31 da Armada, “[repondo] ao legitimidade monárquica”. Seria mais giro ainda se a coisa tivesse sido feita com mais organização e mais gente, de preferência à luz do dia. Diria mesmo, uma pequena revolução e hoje haver, inesperadamente, monarquia em Portugal.

A imprensa foi sendo alimentada por vicissitudes de campanha pré-eleitoral. Desde a inclusão de candidatos arguidos nas listas do PSD e outros candidatos que não sendo arguidos são pateticamente inscritos nas listas. O PSD, na pretensão de ser um partido plural e democrático, não demonstra mais que um vazio largo de ideias conciliadoras (aquele pluralismo é tão anárquico, que pouca coisa há que una aquela gente, além da vontade de poder. Ideias: zero).

Maria José Nogueira Pinto(nº 4 por LX), num eclectismo talvez exacerbado, afirma votar contra o PSD nas autárquicas. Moita Flores (candidato independente para a CM de Santarém, apoiado pelo PSD) manifesta-se contra as listas das legislativas a ponto de não querer votar PSD. Quem não os percebe são os que entendem uma política super partidarizada, em que o centro deixou de ser o homem (na figura do cidadão) mas a saúde do partido. Por outro lado, é estranho que sejam saneados os opositores internos no poder do partido (Passos Coelho) mas que estes “opositores” do PSD mantenham o apoio político deste.

O PSD, por este andar morrerá em poucos anos e ainda bem para a democracia. Já não basta que não tenham ideias, não precisamos de um partido que só serve para alimentar jornais com notícias escandalosas e que poucas mostras dá de competência para governar o país.

MJNP, afirmou, em entrevista ao DN, que MFL trouxe para a política um caracter tipicamente feminino que é o da gestão dos silêncios. Vê aquela candidata (por quem nutro alguma simpatia, naquilo que me é possível) uma virtude onde eu vejo um encobrimento de grandes defeitos. É que MFL, nas poucas vezes que fala, diz muitos disparates. Para isso, de facto, mais vale é estar calada.

Para acabar as férias, veio esta história da vigilância do Palácio de Belém. Não sei em que acreditar.

domingo, 2 de agosto de 2009

Ganda Obama!

A história do polícia, cuja actuação foi apelidada de “estúpida” por Obama, não podia ter tido um desenlace mais feliz. Ainda não me habituei à capacidade de surpreender o mundo que demonstra o presidente dos EUA. E o desenlace é este: Obama convidou o polícia para uma cerveja na Casa Branca!

Há malucos para tudo

O dinheiro é, provavelmente, a raiz dos males do mundo. Pelo que representa e pelo poder que detém. Na revista Sábado deste fim-de-semana saiu uma reportagem sobre um homem que vive sem dinheiro. Não é sem rendimentos: é sem dinheiro. Não aceita esmolas e come o que encontra. Esporadicamente actualiza o seu blogue e tem um site explicando a sua decisão de se afastar da sociedade e viver numa gruta com 1,5 m de largura por 1,5 de altura e 4,5 de comprimento. O blogue é www.zerocurrency.blogspot.com. Está lá o link para o site.

I've been totally without cents since Autumn of 2000 (except for 1 month in 2001). I don't use or accept money or conscious barter - don't take food stamps or other government dole. I don't see money as evil or good: how can illusion be evil or good? But I don't see heroin or meth as evil or good, either. Which is more addictive & debilitating, money or meth? Attachment to illusion makes you illusion, makes you not real. Attachment to illusion is called idolatry, called addiction. I simply got tired of acknowledging as real this most common world-wide belief called money! I simply got tired of being unreal. Money is one of those intriguing things that seems real & functional because 2 or more people believe it is real & functional!

Ao que parece existe uma corrente de pensamento, que não é nem anarquismo nem comunismo (embora tenha as suas parecenças e os adeptos destes sistemas aproveitam os argumentos) e que propõe uma sociedade sem dinheiro. Vale a pena ouvir o que têm para dizer. aqui.

A praticabilidade destas propostas é nula (excepto o caso do tal homem que vive na gruta).

sábado, 1 de agosto de 2009

Diz me com quem andas e dir-te-ei quem és

Lembrei-me deste deste célebre provérbio quando li no el País que Chavez vai impor restrições à liberdade de imprensa, em nome do socialismo do século XXI. O objectivo é "terminar de demoler las viejas estructuras del Estado burgués y crear las nuevas estructuras del Estado del proletariado, bolivariano", citação do líder venezuelano no diário espanhol. Muito bem! A partir do próximo ano, quem cometer delitos mediáticos, ou seja, que transmita informações falsas, manipuladas e interessadas, pondo em causa a estabilidade das instituições e a ordem pública, arrisca-se a penar na prisão de 6 meses a 4 anos.

Lembrei-me deste célebre provérbio porque lembrei-me que há uns meses Sócrates e Chavez diziam-se muito amigos.

O Público também noticia online, mas mais telegráfico.