Após intervalo estival da vida lisboeta, cumpre fazer breve revisitação dos tempos que passaram.
O Alentejo da minha infância ferial tem tudo no mesmo sítio mas as multidões vão devassando este santuário de calma e de silêncio. Talvez ainda não o suficiente para ser mau de todo.
O mundo nestes dias assistiu em especial o périplo de H. Clinton por terras africanas, assumindo uma mudança de postura da Casa Branca nos seus affaires estrangeiros dando uma importância acrescida aos assuntos africanos. A chefe da diplomacia estado unidense puxou orelhas, apontou exemplos, distribuiu/prometeu ajudas e patrocinou os direitos das mulheres. Entretanto, no Irão, uma francesa radicada ali continua esperando a (in)justiça, acusada de espionagem nos célebres tumultos que seguiram as eleições presidenciais na República Islâmica do Irão.
Neste país à beira mar plantado, perdemos um peso-pesado do humor em Portugal – Raul Solnado, herói vivo que protagonizou no palco sketches deliciosos (hão de estar no youtube).
Isaltino Morais é condenado a 7 anos de prisão efectiva, a pagar uma multa de quase meio milhão de euros e a perda de mandato autárquico. É claro que interpôs recurso, expediente que, no senso do cidadão comum não é mais que uma maneira de “adiar e complicar a aplicação da justiça”. O problema é que Isaltino é uma gota nesse mare magnum que é a corrupção em Portugal.
Destaque para audácia protagonizada por elementos do 31 da Armada, “[repondo] ao legitimidade monárquica”. Seria mais giro ainda se a coisa tivesse sido feita com mais organização e mais gente, de preferência à luz do dia. Diria mesmo, uma pequena revolução e hoje haver, inesperadamente, monarquia em Portugal.
A imprensa foi sendo alimentada por vicissitudes de campanha pré-eleitoral. Desde a inclusão de candidatos arguidos nas listas do PSD e outros candidatos que não sendo arguidos são pateticamente inscritos nas listas. O PSD, na pretensão de ser um partido plural e democrático, não demonstra mais que um vazio largo de ideias conciliadoras (aquele pluralismo é tão anárquico, que pouca coisa há que una aquela gente, além da vontade de poder. Ideias: zero).
Maria José Nogueira Pinto(nº 4 por LX), num eclectismo talvez exacerbado, afirma votar contra o PSD nas autárquicas. Moita Flores (candidato independente para a CM de Santarém, apoiado pelo PSD) manifesta-se contra as listas das legislativas a ponto de não querer votar PSD. Quem não os percebe são os que entendem uma política super partidarizada, em que o centro deixou de ser o homem (na figura do cidadão) mas a saúde do partido. Por outro lado, é estranho que sejam saneados os opositores internos no poder do partido (Passos Coelho) mas que estes “opositores” do PSD mantenham o apoio político deste.
O PSD, por este andar morrerá em poucos anos e ainda bem para a democracia. Já não basta que não tenham ideias, não precisamos de um partido que só serve para alimentar jornais com notícias escandalosas e que poucas mostras dá de competência para governar o país.
MJNP, afirmou, em entrevista ao DN, que MFL trouxe para a política um caracter tipicamente feminino que é o da gestão dos silêncios. Vê aquela candidata (por quem nutro alguma simpatia, naquilo que me é possível) uma virtude onde eu vejo um encobrimento de grandes defeitos. É que MFL, nas poucas vezes que fala, diz muitos disparates. Para isso, de facto, mais vale é estar calada.
Para acabar as férias, veio esta história da vigilância do Palácio de Belém. Não sei em que acreditar.
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