o prof. Vital Moreira apresenta 3 aspectos negativos nestas eleições:
1. Elevada abstenção.
2. O aumento de votos numa esquerda anti-europeísta dificultará a superação da crise, que necessita da união.
3. Redução dos votos cumulativos do PS e PSD que resulta numa dispersão de votos que prejudica a governabilidade.
Ora quanto ao 1º ponto. A culpa da abstenção é dos partidos. A única coisa que disseram sobre estas eleições europeias foi que “são muito importantes”. Ninguém ficou a perceber porque é que podem ser importantes. Nenhum partido explicou, nem aflorou sequer, que mecanismos tem o Parlamento Europeu para contribuir para reverter o momento menos bom que atravessamos. Nem os partidos nem os intelectuais das televisões, que gostam de comentar com soberba as coisas da actualidade. A razão que leva alguém abster-se é 1 de 2: ou desprezo pelas instituições, ou simplesmente desinteresse. Cabe exclusivamente aos partidos (entidades sabedoras em matéria de política) explicar aos eleitores a importância de aquilo que dizem ser importante e também cativar, eficazmente, o interesse das pessoas. Não se viu ninguém fazer isso. Em toda a Europa, os partidos preocuparam-se consigo mesmos. Os partidos de governo preocuparam-se em parecer credíveis e válidos perante o eleitorado e as oposições em mostrar-se alternativas de governação.
2. não comento. não sei comentar isto.
3. O que entende Vital Moreira ser um aspecto negativo, modestamente, eu penso que é positivo. Antes de mais sublinhe-se a ténue contradição entre Vital Moreira e Sócrates. Para Vital estes resultados prenunciam um cenário de difícil governabilidade. Sócrates procura dissociar os resultados destas eleições das futuras legislativas. Mas isto pouco interessa.
O facto principal é que os portugueses (que votaram) mostraram que o centrão não é a única alternativa. Aproximadamente metade dos votos foram para o PS e PSD, a outra metade votou contra. Quanto a mim, é positivo o reforço político de partidos alternativos. Tanto o PS como o PSD já nos mostraram do que são capazes. Os outros não. Faz parte de uma sociedade plural a fragmentação de preferências. Fazem parte de uma sociedade democrática variadas posições que se confrontam e debatem pelo bem comum. Não faz parte da democracia, de uma verdadeira democracia, a alternância enfadonha de 2 partidos, que muitas vezes não estão interessados em corresponder aos verdadeiros anseios do povo.
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