terça-feira, 30 de junho de 2009

Mais um estudo como tantos outros…

“Os portugueses estão mais individualistas, não morreriam por nada, nem por ninguém, senão pela sua própria família. No entanto, quase 80 por cento constatam que "a sociedade está a perder valores importantes", revela o inquérito Dez anos de Valores em Portugal, apresentado no seminário A urgência de educar para os valores, na Universidade Católica, em Lisboa.

Se fosse há dez anos, para oito em cada dez pessoas fazia sentido morrer para salvar a vida de alguém. Hoje, apenas 46 por cento respondem que morreriam nessas circunstâncias.
Se, por um lado, estão mais individualistas, por outro mostram ter menos preconceitos e ser mais tolerantes.

Apesar de a maioria dos inquiridos ser casada pela Igreja - 56,2 por cento (mais sete do que em 1999), 2,2 por cento vivem em união de facto e 6,5 por cento são divorciados -, o número dos que concordam totalmente que "o casamento está ultrapassado" sobe de 15 para 36 por cento. Para os portugueses, o casal prevalece ao casamento, já que 80 por cento respondem que "uma criança precisa de um pai e de uma mãe para crescer feliz".

"Cada qual cuide de si"

A expressão "olho por olho, dente por dente" mobiliza mais de metade - eram 36 por cento em 1999.

Ter uma família sólida, amar e ser amado, ser um profissional competente, ser honrado e ter amigos leais são os principais objectivos. Nas tomadas de decisões, o que mais os influencia é a consciência e a família. A Bíblia e os líderes religiosos pesam mais do que a ciência ou a comunicação social. O inquérito tem um grau de confiança de 95 por cento e 2,75 de margem de erro.

Bárbara Wong

Excerto retirado de edição de 30.06.2009 do jornal O Público

A real representatividade dos inquiridos é um tanto ou quanto duvidosa… Apenas 937 inquiridos. Por exemplo, nitidamente nos dias de hoje a ciência e comunicação social têm uma efectiva influência mais forte que as razões religiosas e familiares. A própria ciência e comunicação têm moldado a consciência, de modo que esta acaba por ser, indirectamente, manifestação de ciência e comunicação social.

As consequências, no fundo, são as conclusões a que se chegam: uma sociedade paradoxalmente mais tolerante e mais egoísta. Há uma maior abertura mas ao mesmo tempo os indivíduos fecham-se mais sobre si, incapazes de suportar a ideia de dar a vida por quem quer que seja, gratuitamente. Paradoxalmente, é uma sociedade que se quer nortear pelos valores de uma família sólida mas que vai desprezando o casamento (está ultrapassado) e que, paulatinamente, vai admitindo as relações homossexuais como sucedâneas do casamento.

Estes paradoxos conciliam-se pelo milagre que providencia o desnorte, a desorientação. Cada um para seu lado, sem pontos de referência fixos, cada um mareando sem estrelas que guiem, porque o guia é a razão em abstracto e não a prudentia e sapientia em concreto, inspiradas pela fé e que têm sido dadas pelos saberes da tradição ao longo dos séculos.

1 comentário:

  1. Concordo plenamente com o teu ponto de vista!
    E parece me que o paradoxo foi muito bem apontado.
    Mas sinceramente, na sociedade em que vivemos, nao consigo perceber se os valores ligados à familia sao apontados como supremos: a sua exaltaçao é muitas vezes teorica (é evidente que na teoria toda a gente que queira fazer boa figura os defende com unhas e dentes). Na prática, outros valores sobem como o da tolerancia, como foi referido. E é quando entra a tolerancia, e quando esta se eleva à familia tradicional, que se aceitam os casamentos homossexuais, entre outros fenomenos ate agora repudiados.
    Assim, há uma clara perca de valores, mas tambem uma inversao (que nem sempre será negativa, na minha opiniao).
    Digo isto, reitero: gostei mesmo muito deste post, para mim o melhor dos melhores até agora.
    Tens jeito, oh Zé =P
    ah e concordo realmente que a amostra nao é suficiente para retirar conclusoes crediveis.

    Mariana Lupi

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