sexta-feira, 31 de julho de 2009

Porque não vou votar PS, duas pequenas grandes razões.

Não vou votar PS. Já era mais que patente pelo que tenho publicado neste espaço. A minha decisão ganha consistência ao ler o programa eleitoral do PS. A razão essencial é a minha divergência de visão em relação às coisas. Em dois aspectos. No que toca à família e no que diz respeito à justiça, as bases sobre as quais se ergue uma sociedade. Sem justiça e sem família, a sociedade é um amorfismo jacobino e anti-democrático.

O PS vê a família como “um poderoso factor de coesão, igualdade de oportunidades e desenvolvimento económico.” Chavões vazios que demonstram que o PS não sabe o que é uma família, nem o que é a família. Esta definição podemos aplicar a muitas outras realidades sociais. Uma empresa ou uma fundação também podem ser um poderoso factor de coesão, igualdade de oportunidades e desenvolvimento económico.

Por outro lado, o PS vê a justiça, não como um direito fundamental num Estado de Direito - um direito próprio da democracia e que o Estado não pode, de forma alguma, alheá-lo dos cidadãos. Mais do que o Direito do acesso à justiça, o cidadão tem o Direito à justiça. O Direito a que o Estado crie mecanismos, a qualquer custo, para que lhe seja feita justiça. Ao contrário, para o PS, a justiça é um serviço. Cito: “O PS pugna por uma Justiça que seja vista pelos cidadãos mais como um serviço do que como um poder. O PS orientará a sua acção no Governo no sentido de a Justiça ser virada para o cidadão, como consumidor de um serviço.” Com este entendimento da justiça é fácil antever que consequências podem advir daqui.

Já me bastava viver no país de Sócrates para não votar PS, lido o programa eleitoral (há outras coisas com as quais não concordo, mas não as vou esmiuçar aqui) a minha decisão transformou-se numa convicção.

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