Cumpre também a minha patada nisto que vai sobre a educação.
Situação de facto (corrijam-me que posso ter percebido alguma coisa mal): O sistema da educação não funciona bem; o ministério da educação deste governo distribuiu computadores portáteis (alvo de chacota por esse país fora) a todos os alunos do 1º ciclo, alargou também a esses alunos o ensino do inglês e música (obrigatoriamente) fora do horário lectivo; pretende impor aos professores um regime de avaliação sem os ouvir, estes naturalmente ressentem-se e, como qualquer ser humano, revoltam-se; a classe opinativa (blogoesfera e outros políticos de bancada) insurgem-se contra a insurgência dos professores, pois há a percepção geral de que os professores são uma classe privilegiada e pouco trabalhadora.
1. O sistema de educação não funciona bem porque ninguém sabe bem o que quer da educação e porque ninguém sabe o que deve ser um modelo de educação. Aliás há alguém que sabe. São naturalmente os especialistas nessa matéria. Por exemplo, que me ocorram, especialistas em educação são os professores, não tanto os que nunca deram aulas na vida mas talvez aqueles que no seu dia-a-dia, durante anos a fio, lidam com alunos e dão, espante-se, aulas! Enquanto os modelos e programas pedagógicos forem pensados sem se ouvirem os especialistas haveremos sempre ter um sistema de educação meramente amador. Quem não percebe nada de educação acha que imitando os modelos do estrangeiro está a fazer um óptimo serviço à comunidade. Desengane-se quem pensa assim: quem pretende imitar o que há lá fora, insulta o que há cá dentro; tanto os especialistas, que tanto gostariam ter uma palavrinha a dizer sobre o assunto; como a própria comunidade, porque lhe são desprezados os seus caracteres únicos. Para cada nação, um modelo de educação!
O sistema de educação não funciona bem porque está mal estruturado desde o 1º ciclo até ao ensino superior, em termos pedagógicos e didácticos, porque está pensado por ignorantes em matéria de pedagogia. Por exemplo, enquanto não se entender que a utilidade de saber de cor todos os rios e linhas de comboio do país não é pela simples estupidez de os saber mas pelo fabuloso exercício de memória que constitui, estaremos longe de querer uma escola de qualidade. Nos dias de hoje, o treino da memória é feito muito tardiamente e mal, o que pedagogicamente é um erro crasso.
Outro exemplo, enquanto os pais não entenderem que na escola as crianças aprendem e não vão para serem educadas, estaremos longe de ter uma escola de qualidade. Os primeiros responsáveis pelo mau sistema de educação são os pais, que pela educação que dão aos filhos potenciam ou tornam infrutíferos os instrumentos escolares.
Naturalmente, não sou especialista de educação e pouco percebo de pedagogia mas fui lendo e procurei documentar-me fora da comunicação social para formar a minha opinião.
2. o ministério da educação distribuiu, com insignificante ónus, computadores portáteis que foram motivo de piada um pouco por todo o país. Ora, o que deveria ser motivo da piada são os resultados nefastos que trouxe esse acto de generosidade e angariador de votos. Crianças com 9 anos cresceriam mais saudáveis a fazer desporto e a brincar do que jogando horas a fio aquele jogo do pinguim (quem tem irmãos pequenos em casa sabe do que falo) que estupidifica brutalmente. Lembra-me aquela parte do filme do pinóquio quando os miúdos se transformam em burros.
Fim da primeira parte. Amanhã ou depois continuo com a análise do resto da situação de facto, porque ainda há muito para dizer e para não cansar os leitores (não sei se os tenho) com tanta letra.
Não tens razão em algumas coisas, mas leitores tens.
ResponderEliminarTens pelo menos um, atento!
conta lá em que nao tenho razao, caríssimo!
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